Nesse episódio Edu Matos conversa com Fernando Botelho, Diretor de Engenharia na Pixieset, sobre a fina camada que separa desafiar as equipes e garantir que elas não se sintam sobrecarregadas. Dentro outros assuntos, também discutem sobre como inovar sem sobrecarregar, o que fazer quando há discordância nas visão de futuro e como o próprio pode ser uma alavanca importante de mudanças.
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- Fernando Botelho no LinkedIn
- Post do Fernando Botelho
- Livro “Turn the ship around”
- Livro “Leadership is language”
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Resumo do episódio
Encontrando o equilíbrio entre desafio e sobrecarga
O desconforto é inerente ao crescimento, mas é crucial diferenciar entre desafios produtivos e pressões prejudiciais. Um exemplo disso são os hackathons: momentos controlados onde equipes podem experimentar livremente, falhar e aprender, sem comprometer a rotina. A ideia é "deixar o caos reinar para depois domá-lo", permitindo que a criatividade flua em ambientes seguros.
A previsibilidade (como Sprints bem definidos) é importante, mas inovação requer sair da zona de conforto. Uma dica é separar tarefas em "trabalho vermelho" (execução) e "trabalho azul" (planejamento), alternando entre eles para evitar esgotamento.
Lidando com o medo das reações da equipe
A comunicação clara e a consistência são fundamentais para ganhar confiança. Líderes devem estabelecer expectativas realistas e evitar mudanças bruscas de prioridades (exemplo: valorizar qualidade em um projeto e velocidade em outro).
Diferenças culturais também influenciam: enquanto algumas culturas privilegiam feedback direto, outras valorizam relações pessoais. A chave é adaptar-se sem perder a coerência. Uma estratégia é ouvir ativamente as preocupações da equipe e oferecer segurança psicológica para que erros sejam vistos como parte do aprendizado.
Gestores vs. Líderes: papéis complementares
Gestores focam em estabilidade e previsibilidade (como cumprir prazos e manter processos), enquanto líderes buscam mudanças e antecipam oportunidades futuras. Ambos são essenciais:
- Gestores garantem que o trabalho diário seja entregue com qualidade.
- Líderes identificam "caos controlado" (como resolver débitos técnicos ou melhorar a experiência de desenvolvedores) e conectam essas iniciativas ao valor estratégico do negócio.
A colaboração entre ambos evita que inovações virem crises ou que a rotina se torne estagnação.
Inovação vs. Estabilidade: a frequência ideal
Inovação contínua é insustentável se não houver períodos de consolidação. Resultados duradouros dependem de ritmo constante, não de picos intensos. Métricas como bem-estar da equipe e qualidade das entregas devem guiar decisões:
- Sinais de alerta: queda na criatividade, estresse elevado ou moral baixa.
- Soluções: Hackathons periódicos, dias dedicados à experimentação e pesquisas de satisfação (como surveys de developer experience).
A regra é simples: "Trabalho é uma maratona, não uma corrida de curta distância."
Priorizando mudanças e justificando seu valor
Mudanças técnicas precisam ser traduzidas em valor para o negócio. Por exemplo, reduzir débitos técnicos pode acelerar entregas futuras ou mitigar riscos. Para priorizar:
- Engaje a equipe: Use RFCs (Requests for Comments) para coletar ideias e identificar entusiastas.
- Conecte ao contexto: Explique como a mudança impacta métricas como receita, custos ou satisfação do cliente.
Se a equipe não vê o propósito, a iniciativa perde força.
Gerenciando discordâncias e resistência
Discordâncias são inevitáveis. A estratégia do "Discorde, mas Comprometa-se" (Disagree & Commit) ajuda:
- Ouça as objeções e ajuste a proposta, se possível.
- Em casos extremos (como conflitos de valores), permita que membros se realoquem em outros projetos.
Para mudanças reversíveis, teste-as por um período definido (ex: 1 mês) e avalie resultados antes de decidir continuar ou retroceder.
Mantendo o engajamento em projetos longos
Iniciativas prolongadas exigem checkpoints regulares para reavaliar o ânimo da equipe. Essas são algumas opções:
- Sprint reviews: Celebre pequenas vitórias e identifique obstáculos.
- Métricas de diagnóstico: Monitore satisfação e carga de trabalho.
- Comunicação transparente: Explique como cada etapa contribui para o objetivo final.
Se o desânimo surgir, redefina prioridades ou divida o projeto em fases menores.
Aspectos inegociáveis ao ontegrar novas equipes
Ao ingressar em uma nova organização, dois pontos são críticos:
- Colaboração eficaz: Evite silos ou competição interna.
- Alinhamento estratégico: Garanta que a engenharia não seja tratada como "apoiadora", mas como parceira de produto e negócio.
Entender a cultura existente antes de propor mudanças radicais é essencial para ganhar credibilidade.
Conclusão
Liderar é equilibrar desafios com empatia. Não se trata de agradar a todos, mas de criar um ambiente onde equipes sintam-se seguras para errar, aprender e crescer. Lembre-se: resultados sustentáveis dependem tanto do que é entregue quanto de como é entregue.
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